NexB | Empresas familiares e Sucessão | M&A - Fusões e Aquisições, Consultoria Empresarial e Serviços Financeiros

Empresas familiares e Sucessão

Empresas familiares e Sucessão

Empresas familiares e Sucessão

A empresa familiar destaca-se no cenário nacional pela sua quantidade e também pela rapidez com que abrem e fecham.  Sabemos das dificuldades enfrentadas por estas empresas, sejam de ordem fiscal, tributária, mercadológicas, recursos humanos, inovação, gestão e principalmente no processo sucessório.

Primeiro pelo motivo que sempre nos deparamos com empresários tomando decisões equivocadas, sem a devida verificação de projetos, com respostas direcionadas para soluções a curto ou curtíssimo prazo.Talvez por problemas culturais e conjunturais, oriundos de uma economia instável, cujo convívio é de longa data, as atitudes dos pequenos empresários caminham na contramão dos conceitos oferecidos pela área acadêmica e, também pelas grandes empresas em operação no mercado. A convivência com taxas de juros exorbitantes ao longo do tempo, e com os índices inflacionários elevados, falta de preparação para o empreendedorismo,  podem ter influenciado nossos pequenos e médios empresários serem especialistas nas decisões de curto e curtíssimo prazo, sanando problemas imediatos como falta de capital de giro. A utilização correta e necessária das demonstrações contábeis, o planejamento financeiro e orçamentário e, às vezes, até o fluxo de caixa, em muitos casos são colocados à parte, deixando clara a inobservância de alguns relatórios, com dados estatísticos de um passado recente e certamente se melhor observadas poderiam diminuir substancialmente a descontinuidade desta modalidade de empresa.

.  Com a chegada das novas gerações na gestão da Empresa no processo sucessório na qual  naturalmente gera o chamado “ conflito de gerações “ agravando ainda mais esse cenário, de um lado o conservadorismo dos Pais mas que gerem baseados na experiência e do outro o jovem querendo inovar e mudar o rumo da Empresa no curto prazo  e esse problema não é especificamente de países onde a gestão de empresas ainda é muito caseiro, segundo pesquisa global da PwC (Price Water House Cooper)de 2018, “44% das empresas familiares no mundo não têm plano de sucessão , os números das empresas brasileiras chegam a 72% ”.

Portanto desperta cada vez maior o interesse neste assunto à medida do aumento por demandas por projetos societários, nos fornecendo novos conhecimentos e subsídios para aplicação nestes projetos, bem como a implementação de novos conceitos no dia a dia das instituições.

A região de São José do Rio Preto, conhecida como um polo comercial, além de se destacar entre uma das melhores cidades para se residir, tem uma crescente fixação de empresas varejistas. Chamou-nos a atenção o número de empresas na cidade que descontinuavam a cada ano.

Por estar envolvido com o setor varejista e, também com a vida acadêmica desta cidade, pudemos observar e questionar quais seriam os verdadeiros motivos que levariam tais instituições a tão pouco tempo de existência.

A relevância da referida pesquisa tem seu fulcro em um público interessado diretamente nas informações a serem obtidos mediante tabulação do questionário apresentados a empresários de São José do Rio Preto-SP, pelas instituições como a ACIRP – Associação Comercial e Industrial de Rio Preto, CDL – Câmara de dirigentes Lojistas e, Regional APAS – Associação Paulista de Supermercados, que apoiaram nossa pesquisa e demonstraram grande interesse em divulgar os resultados aos seus associados. Foram aqui estudadas empresas familiares que estejam em fase de sucessão, tendo como característica para ser considerada como empresa familiar, aquela que pertença a uma ou mais famílias e, que esteja ao menos se preparando para a segunda geração de sua direção. Não será considerado relevante o tamanho da empresa, nem tão pouco o volume de negócios de cada entidade.

Em países de primeiro mundo, como Estados Unidos da América, Inglaterra e Espanha, as empresas familiares já vêm recebendo apoio de universidades como a George Washington University, através do “Center for Family Business” onde o objetivo é orientar as empresas familiares na condução do seu negócio. Na Inglaterra, o “The Stoy Hayward” divulgando pesquisas e estudos sobre empresas familiares e na Espanha, o “Instituto de Estudos Superiores de La Empresa” em Barcelona, com pesquisas e estudos dedicados às empresas familiares.

Na Itália, considerada o berço do empreendedorismo e da formação empresarial no contexto familiar, estaremos abordando o caso de empresas situadas na região de Bolonha.

Segundo Fórmica[1], dentro da economia italiana, há o resultado de um fenômeno espontâneo e duradouro de criação de novos negócios (satelitização, como tem sido chamado) por parte de empregados que deixaram os patrões para estabelecer suas próprias companhias, a fim de abrir novos segmentos de mercado. O satelitizado é um antigo empregado de uma companhia matriz, onde ele desempenhou durante anos funções especializadas de tipo supridor. A família do novo empresário e sua antiga rede atuam como anjos comerciais. O mesmo faz a companhia matriz, fornecendo in natura, apoio em termos de ordem, conselho, apresentação de clientes, utilização de equipamentos e maquinaria e vantagem monitorada.

No entanto na Itália e também no sudeste da Europa, não existe uma política publica avançada de sensibilização ao empreendedorismo. Por outro lado, os países mais ao norte decretaram “as leis da evolução” para este campo de estudo. Os legisladores puderam entender os problemas empresariais tão complicados quanto aqueles que dizem respeito à criação de empregos inovadores e de rápido crescimento, formados por instituições familiares.

Os Países Baixos tem uma boa reputação nessa área. A “Twinning Network”, ou seja, a rede germinada foi considerada no país um projeto inovador para estimular o empreendedorismo em setores de crescimento rápido.

O Sebrae no Brasil tem efetuado um trabalho de alto reconhecimento junto às pequenas e microempresas, orientando na gestão e oferecendo subsídios financeiros através de parcerias com bancos estaduais e caixas econômicas, além do desenvolvimento de pesquisas e treinamento de pequenos empresários pelo projeto de incubadora.

Vivemos no momento desafiador de preparação do processo sucessório, cada vez mais o jovem vem buscando novos projetos solos e em sua maioria opta por diferentes caminhos que a família percorreu, com espírito de maior ousadia com disposição maior a riscos nos negócios, e normalmente distante das expectativas familiares, gerando frustações para o fundador e quando não reconhecido das suas novas  ideias   se desmotivam em  dar continuidade ao lado da família de  um negócio que ele não construí.       

Como também a própria formação acadêmica escolhida se difere do segmento da empresa familiar , ou mesmo encontramos pessoas já na linha de sucessão que apresentam baixo grau de conhecimento financeiro, administrativos e, em alguns casos, não estão sequer buscando instrução acadêmica, técnica ou prática, ou simplesmente prevalece o ditado popular que diz “que formamos herdeiros não sucessores” que somente irão usufruir financeiramente  do legado que a Família construiu.

Portanto diante este contexto complexo, evitar o conflito de gerações e para aproveitar o que de melhor um jovem sucessor pode contribuir  com o seu  espírito de inovação aliado a experiência do fundador é preciso planejar o processo sucessório para a perpetuidade da Empresa , principalmente  na preparação dos sucessores, quais deverão receber orientação administrativa, financeira, psicológica e contábil, o que acreditamos que deverá ser a base para um processo de gestão sólida e com continuidade assegurada. Já que muitos jovens  com possibilidades de sucessão apresentam baixo grau de conhecimento contábil, pouco conhecimentos administrativos e, em alguns casos, não estão sequer buscando instrução acadêmica, técnica ou prática.

Em empresas que já possuem uma boa Estrutura Organizacional   , o impacto nessa transição é mais positivo. Contar com apoio de especialistas fora da base familiar nesse momento tanto na organização e  reestruturação dos processos, transferência de conhecimento e integração das gerações é fundamental.

Raymundo de Souza Neto – Mestre em Controladoria e Finanças – PUC/SP

Head de Consultoria na Nexb Valor Negócios


[1] Formica, Piero. Innovation and Economic Develpment. p.11.1997.